Versace, Chanel e Louis Vuitton: mais do que ditar tendências, toda grande têm conceito histórico por trás. Confira!
Texto: Rachel Grossman
Conhecer os produtos hit, bolsas, acessórios, perfumes e tendências do ano é fácil para quem é antenada. Os clássicos também fazem parte de um certo conhecimento instintivo na veia de toda a mulher vaidosa que ama e admira o mundo das grifes, do luxo e do glamour.
Mas moda não é só a paleta de cores, o modelito de saia ou a estampa que vai fazer sucesso nas próximas araras. É também revolução, independência feminina e mais: linguagem visual sem precisar de palavras e comunicação por meio de imagem sobre a intenção do que se deseja passar, seja o seu verdadeiro eu, seja um conceito, seja uma reflexão. E como toda obra de arte, a moda também representa história e marcos importantes na linha do tempo.
Confira um pouquinho algumas curiosidades de grandes grifes:
Versace
O logo
O logo da Versace é representado pela cabeça da Medusa. A imagem é a personagem de um mito grego, que conta a história de uma mulher que foi transformada em monstro depois de ofender os deuses. Filha de duas divindades marítimas, Fórcis e Ceto, era a única mortal e visível aos olhos humanos.
Seduzido por sua estonteante beleza, Poseidon (Neptuno para os romanos) transformou-se em pássaro para poder atraí-la e possuí-la. Este foi o único que se aproximado da virgem, e acabou vivendo um momento de amor no templo de Atena (Minerva para os romanos). Foi por causa deste ato, que era considerado sacrilégio, que Medusa foi punida.
Irritada, Atena transformou os cabelos da bela em cobras, língua vibrante, dentes enormes e olhar penetrante e assustador. Sua aparência se tornou tão terrível que todas as pessoas que a encarassem teriam a face transformada em pedra. Quem acabou com a vida de Medusa, segundo a lenda, foi Perseus, cortando sua cabeça com uma espada.
E o que isso tem a ver com Gianni Versace? Bem, o estilista nasceu no sul da Itália, local com muita tradição de transmitir a influência grega de geração em geração, principalmente a da figura da Medusa. Gianni sempre se inspirou na arte e arquitetura clássica, e escolheu o logo para mostrar que as criações de sua marca são como a lenda: símbolo de transformação, beleza, feitiço e encanto.
Chanel
O logo
O logo da maison francesa são duas letras C entrelaçadas, mas vale a pena comentar a curiosidade: ele só foi registrado como marca depois da abertura de suas lojas.
Alça de corrente
Quando pensamos em Chanel, é impossível esquecer a peça que é copiada, reproduzida repaginada e desejada há quase 60 anos. Trata-se do modelo 2.55, que, além de clássica, certamente se tornou um marco de história no mundo da moda.
Seu nome nada mais é do que a data em que foi criada: fevereiro de 1955. Coco desejava manter suas mãos livres, mas sem o risco de perder sua bolsa. Foi por isso que adicionou as alças para pendurar no ombro, detalhe que só existia em bolsas de mensageiros ou do exército.
Inspirada pelo tempo que passou morando em um orfanato quando criança, Chanel criou as alças em forma de correntes remetendo a maneira como os monitores do lugar em que ela viveu entretiam as crianças: com chaves penduradas em correntes.
Outro detalhe esta mesma memória alimentou foi a cor da primeira edição do interior da bolsa: borgonha; era o mesmo tom dos uniformes dos pequenos.
Feita em couro matelassado, seu interior têm compartimentos específicos. Um é para o batom, o outro é um bolso atrás para dinheiro (significando a independência feminina), e ainda há um terceiro escondido na aba, que, diz a lena, Chanel escondia suas cartas de amor trocadas com o nazista espião Hans Günter von Dincklage. O fecho retangular, conhecido como Mademoiselle Lock só foi substituído pelos dois “C” nos anos 80, quando o kaiser assumiu a liderança.

Hoje, a bolsa é feita manualmente em um local com 340 trabalhadores, que estão em média há 17 anos na casa. São 180 processos de produção e 60 peças usadas em cada unidade. A colocação das correntes é a última etapa, e, se for mal feito, pode arruinar todo o trabalho feito anteriormente. O couro é sempre o mais macio e ao mesmo tempo resiste, e o efeito matelassê é um segredo da grife. Está explicado o porque de custar cerca de 3 mil dólares!
Perfume nº 5
A fragrância mais famosa do mundo foi criada por Ernest Beaux, famoso perfumista da época. O frasco art déco, feito em cristal com formato retangular e um selo identificador foi incorporado à coleção permanente do Museu de Arte Moderna de Nova York em 1959, e foi o primeiro perfume sintético a levar o nome de um estilista.
Ele utilizou mais de 65 substâncias para compor a essência (inédito nos anos 20), e deu este nome porque cinco era seu número da sorte. Outra versão da história conta que Coco escolheu este número porque dentre as 10 amostras preparadas pelo profissional, a que mais lhe agradou foi esta. Não coincidentemente, a apresentação do clássico foi feita no dia 5 de mais de 1921, e, até hoje é o mais vendido em todo o globo, comercializado em mais de 140 países.
Sapatilha de couro matelassado
Outro clássico da marca é a sapatilha de couro matelassado. Mas, você sabe de quem é esta ideia?
Na última segunda-feira (16), Christian Louboutin resolveu reivindicar a autoria. O designer contou ao jornal britânico The Telegraph que, antes de abrir sua própria grife, trabalhava como freelancer para a Chanel, e diz ser o responsável pela criação da tal sapatilha. “Todo mundo acha que essa sapatilha é parte do DNA da Coco, mas nunca havia sido produzida antes de eu aparecer por lá”, contou.
Será que depois dessa Karl Lagerfeld vai dar alguma resposta? Vamos aguardar!

Christian Louboutin diz ao jornal The Telegraph que a peça foi criação sua, desenvolvida na época que trabalhava como freelancer na grife francesa, em 1992. (Foto: Reprodução)
Louis Vuitton
Como tudo começou
Louis Vuitton nasceu na Suíça, mas criado em Paris. Filho de um marceneiro, era levado ao Palais des Tuilleries a cada viagem do imperador francês Napoleão III como aprendiz de maleiro. Mesmo depois de aberta a primeira loja em 1854, no centro da capital francesa, cada produção dentro da Maison Louis Vuitton Malletier era exclusiva e única, feita por encomenda.
Os primeiros objetos eram baús: um que virava cama, outro que virava charrete, e ainda, uma versão flutuante. Pouco tempo depois, criou as primeiras malles plates, baú feito com tampa reta. Esta versão facilitava as arrumações nos porões de navios e empilhamentos nos trens. Sua principal assinatura era o revestimento cinza, tudo feito a base de madeira, zinco, cobre e lonas impermeáveis para atender o desejo das madames de carregar tudo para lá e para cá com muita classe.
Logo depois vieram as malas com monogramas, que caracterizavam as pessoas ricas e de bom gosto nas viagens. Outra criação icônica da grife foi o fecho inviolável dos produtos. Somente em 1959 é que foram criadas as primeiras bolsas, feitas com um tecido mais maleável, com mistura de linho, algodão e PVC, utilizado até os dias de hoje.
Eterna luta contra a falsificação
Em 1876 a marca tomou sua primeira atitude contra as imitações. A famosa lona cinza foi substituída por listras em bege e marrom no modelo Trianon. A inovação de produtos também era constante para reafirmar o que era legítimo e o que não era, por isso foram inventadas as caixas de chapéus, mala de sapatos, mala-secretária e mala-cama. Mas, com o passar dos anos, o sucesso era tanto que os produtos despertavam inveja e mesmo assim tinham as imitações.
O herdeiro Georges Vuitton continua esta luta do pai e cria, em 1888, como nova forma de boicotar as falsificações, uma nova impressão batizada do modelo “Damier” em marrom e bege, trazendo a inscrição “marca registrada Louis Vuitton”. Posteriormente, em 1896, houve a inserção dos símbolos que reproduzem flores e as letras LV granuladas. Tudo em vão, já que a grife continua sendo copiada até agora.










adorei o post, muito instrutivo e revelador, bjs